Confissões de um Taxista Nova Iorquino

Confissões de um Taxista Nova Iorquino

Gene Salomon, um taxista Nova Iorquino precisa de pensar quando lhe perguntam, “Qual a boleia mais mais louca que já deu?”. Ele faz uma lista mental dos seus 36 anos de boleias e percursos tal que é taxista desde 1977, onde ainda corriam os Checkers (o táxi mais famoso de Nova York, Link Wikipedia).

“Será que foi o percurso da rapariga que saiu 7 vezes do táxi para vomitar? Ou será que foi a boleia ao rapaz que, sem provocação, começava a berrar? Ou então o passeio em que uma mala de basquete que caiu do táxi a meio da 59th Street Bridge? (Queensbro Bridge)”.

“É então que recordo a boleia que dei a um homem da máfia que foi atingido – é aí que já não consigo decidir”.

Ao invés de escolher apenas uma boleia louca, ele criou uma lista com mais de 100 dos mais memoráveis percursos ao livro que chama: “Confissões de um Taxi Nova Iorquino” que começará a ser vendido a 29 de Janeiro.

Apesar deste conjunto de histórias não gerar salários, férias, benefícios fiscais ou pensões, Gene Salomon ganha realização com esta atividade.

“Eu tenho mais histórias que o Empire State Building”, diz ele. Serve de mote para o seu cartão de visita.

E se você visitar Nova York, poderá encontrar o Salomon. Ele está de serviço 3 vezes por semana entre as 5 da tarde e as 5 da manhã. Quem sabe você não fará parte da sua história louca seguinte?

O Encontro com Leonardo DiCaprio

Numa noite de Versão de 1996, Salomon parou em frente ao Bowery Hotel e junto a um grupo de crianças desordeiras. Uma delas, um loiro a “fumar um cigarro maior que a sua face”  pulou para dentro do seu táxi.

leonardo di caprio

“Você não sabe quem eu sou?”, o miúdo começa a chorar no banco de trás.

“Uhhh….não”

“Sou um ator, pah!”

“Oh.”

“Você já viu ‘This Boy’s Life’?” perguntou ele.

Salomon disse que não.

“Eu participei com o De Niro, pah”

O passageiro continuou a listar filmes, incluindo “What’s Eating Gilbert Grape”. Todos, filmes que Salomon não tinha visto.

Apesar disso, os dois entraram na cabine. A conversa desenrolou-se tal que DiCaprio passou a ser designado “Leonardo DiWho” por Salomon.

“A nossa discussão continuou até que chegámos ao Spy (clube noturno)”, Salomon escreve. “Todos sairam do Táxi, menos Leonardo DiCaprio. Ele ficou dentro da cabine e fez-me várias questões sobre a vida de um taxista”.

Então ele perguntou, “Qual foi a maior celebridade que você já transportou?”

“Acredite ou não, foi John McEnroe. Ele deu-me o dobro do que me devia”, respondeu Salomon.

“Pois bem,” disse DiCaprio, “Vou-lhe dar 3 vezes o que lhe devo!”

E assim fez.

Apanhados no Ato Sexual

Sexo nos taxis – acontece imenso, diz Salomon.

“Comigo, não acho que seja ofensivo, mas o meu nível de ressentimento depende da forma como os passageiros o fazem…Fico irritado se eles fingem que eu não estou lá,” diz ele.

E foi isso que aconteceu uma noite quando ele transportou um casal que saiu do Bowery Hotel. Quando a mulher fechou a porta, ela disse abruptamente, “Você não se importaria se fizéssemos sexo na sua cabine, certo?”

Antes que ele pudesse responder, “ela estava nele tal como Fido numa perna.”

Salomon conduziu metade de um quarteirão até chegar a um semáforo vermelho, estando lado a lado com um veículo policial e baixou a janela.

Salomon perguntou à Oficial feminina: “Isto é legal?”.

“A oficial tratou logo do assunto”, lembra-se Salomon. “Ela pegou no microfone e, com um grande sorriso na sua cara, continuou a trabalhar.”

“Hey, vocês aí atrás!”, com o seu vozeirão. “O que estão aí a fazer atrás?”

O casal permaneceu absorto.

Hey, no sex in taxis“, disse a policial.

Agora todos os que estavam por perto começaram a divertir-se com o espetáculo.

“Hey, tu aí no taxi – Larga já esse rapaz!”, continuou a oficial.

A rapariga finalmente apercebeu-se da cena.

“Está melhor! Agora comportem-se!!”

Depois disso, ele subiu a 24th Street e a Second Avenue e “foi um sóbrio passeio à Igreja num Domingo de manhã”.

Amor Antigo

Em 1987, 2 idosos não-Nova-Iorquinos entraram no carro de Salomon e ele conduziu o casal pela cidade, parando nos locais que eles frequentavam quando namoravam.

Depois, no Park Drive, Salomon olhou no retrovisor para observar os Septuagenários.

“Eles estavam amarrados um ao outro e eu colocaria o casal no topo da minha lista dos beijos na cabine bobos.”

Assim que o carro aproximou-se da saída do parque no Central Park South, o casal recompôs-se.

“Peço desculpa”, disse a mulher, “por usar o seu táxi para um propósito diferente daquele a que é proposto.”

“Hey, tudo bem,” respondeu Salomon. “Os Táxis são para os beijos.”

Boleia Sangrenta

Em Março de 1999, Salmon passava pelos Jackson Heights e era meia noite, encontrando um homem coberto de sangue. Mesmo assim, ele deixou o homem entrar.

“O que aconteceu?” perguntei eu.

“Ó meu Deus, eu espero não o ter matado.”

“Eu acho que o matei. Eu espero que não o tenha morto,” repetia o cliente.

Depois de um estímulo, consegui que ele partilhasse a sua história: Ele estava sentado num bar, sozinho, quando 3 homens desordeiros começaram a fazer troça dele. Infelizmente eles não sabiam que ele era um Ex-Marine que sabia Artes Marciais e não estava com disposição para aturar manias.

Rapidamente o evento tornou-se numa festa de tiros que terminou com um dos outros homens a cair  no chão com um corte no pescoço que pode ter atingido a sua traqueia.

“Eu dei-lhe apenas um conselho: Não diga a mais ninguém sobre este incidente excepto a um padre. Não deixe que os seus sentimentos de culpa o ponham numa prisão”, disse Salmonon.

Homem Atingido

Numa Sexta-Feira à tarde, Fevereiro de 1985, 2 homens vieram ter ao carro e pediram para ser levados ao Newark Airport. Apesar de Salomon nunca ter memorizado os seus nomes, rapidamente percebeu o tipo de pessoas com quem estava a lidar.

Os dois falavam num misto de Italiano e Inglês e raramente tomavam atenção a Salomon até que passaram as notícias na rádio.

Era a altura do vergonhoso Pizza Connection Trial, no qual dezenas de reputados mafiosos foram acusados de operar um esquema de tráfico de droga massivo que tinha como fachada várias pizzarias.

“Aumente o volume, Sff”, disse um dos homens.

Eles ouviram atentamente até a emissão terminar e começaram a falar um com o outro em grande excitação, em italiano.

“Foi quando percebi que os tinha apanhado no Foley Square, o espaço onde todos os tribunais estavam localizados”, recorda Salomon. “E eles tinham entrado  no meu táxi as 4 da tarde, o momento do dia quando o julgamento teria uma pausa. E eles disseram-me que faziam esta viajem a Chicago todas as Sextas-Feiras. Eles estavam a voltar para casa para o fim-de-semana até que o período de julgamento recomeçasse na segunda-feira seguinte!

“Eu sabia que neste momento eu poderia estar a transportar homens que serviam de correio para a Mafia. Então, como é que deveria conduzir quando sabia que mesmo por trás de mim estavam pessoas que colocavam balas na cabeça das pessoas como modo de vida? Com muito cuidado!”

A tarifa foi de 26,80$.

“Peço desculpa, meu amigo, mas não tenho muito dinheiro hoje”, disse um dos homens colocando o braço no ombro de Salomon.

O homem entregou 27$, uma gorjeta de 10 cêntimos.

“O que mais podia dizer sem ser, ‘Tenham uma boa viajem’?” disse Salomon.

Celebridades

A esta altura, Salomon já tinha transportado 114 famosos no seu taxi. Ele conduziu Dick Clark 3 vezes e também levou Lauren Bacall, Sean Penn, Dennis Hopper, Robin Williams e James Taylor.

“Se eu pudesse contar aqueles que não reconheço, tenho a certeza que o número seria bem maior”, escreve ele.

Aqui está uma lista de alguns hits e outros não tão hits:

Douglas Fairbanks Jr. : “Deparei-me com um homem de meia-idade na 77th Street que vestia um Smoking. Ele abriu a porta, inspecionou o taxi e retirou alguns bocados de papel que estavam no piso.”

“Ele estava a preparar o carro para o seu maior amigo VIP, Fairbanks.”

Douglas Fairbanks

Abbie Hoffman: Salomon estava a atravesar a 8th Avenue quando um homem com um ar aparentemente normal e outro com um ar aparentemente louco entraram no taxi.

“O homem tresloucado falou com o seu companheiro a um nível semi-histérico sem dar a possibilidade do outro falar. Quando o maluco saiu do carro, o outro homem virou-se para mim e disse, ‘Aquele era Abbie Hoffman. Eu sou o seu agente da Condicional'”.

Abbie Hoffman

Paul Simon: Salomon transportou 2x a famosa estrela pop. Na segunda viagem, em 1983, ele abordou-o numa forma negocial:

“Eu quero que você compre os Yankees”, disse Salamon.

“Eu? Você quer que eu compre os Yankees?” ele respondeu. “Eu não tenho esse tipo de dinheiro. Você devia falar com o McCartney.”

paul simon

O rapaz “Eu quero sair daqui”

Salomon apanhou um rapaz muito ansioso em 1980 que queria ir ver os Queens tão rápido quanto possível.

Eles estavam em plena 59th Street Bridge quando o homem disse: “Vou sair aqui”.

Salomon virou-se e reclamou.

“O que é que quer dizer?” ele perguntou.

“Eu…eu quero sair aqui. Se faz favor.”

“O que você vai fazer? andar? Estamos no meio de uma ponte!”

“O outro lado…está a mover-se mais rápido.”

“O contador estava a 3$”, escreve Salomon. “Ele deu-me 3 notas, abriu a porta e saiu do taxi. Saltou para o outro lado da ponte e para meu espanto, encontrou imediatamente um taxi disponível”. Estranho…

A Morrer para Chegar lá

Num Domingo à tarde de Abril de 1996, Salomon encontrou um homem de meia-idade que estava no Financial District de Nova York com um problema sério.

A cabine estava a destinar-se para o Holland Tunnel quando ele reparou algo muito estranho com o seu passageiro – o seu corpo estava a abanar violentamente e ele estava a fazer caretas.

Sir,” Perguntou Salomon, “está tudo bem?”

“Acabei de ter um ataque cardíaco”, disse ele.

“Você acabou de ter um ataque cardíaco? Não devia levá-lo para o hospital?”

Salomon afirma que a resposta do homem foi uma das melhores de todos os tempos!

“Estou a regressar do hospital”, disse ele. “Aqueles Filhos da P*** não sabem o que fazem. Prefiro morrer num quarto de hotel.”

“Eu considerei conduzi-lo novamente ao hospital contra a sua vontade,” escreve Salomon, “mas eu sabia que se o fizesse, ele sairia, mandava-me à merda e encontrava outro taxi.”

Depois, ocorreu-lhe outro pensamento: “Se este tipo morrer, o que será da minha tarifa? Será que lhe cobro toda a tarifa até Rutherford ou só até onde ele morreu? E será que tenho o direito de retirar o pagamento da sua carteira? E a minha gorgeta? Será que me devo dar a gorgeta normal de 15 a 30 por cento? ou será que devo ser compensado pelo meu trauma psicológico pela situação e retirar 50$?”

Felizmente, o tipo sobreviveu à viagem!

Este artigo tem como fonte uma peça do NY Post